Diaconia alerta para o aumento do consumo de alimentos industrializados e reforça a importância do consumo de alimentos orgânicos agroecológicos

Debate sobre consumo alimentar foi feito durante uma oficina em Caraúbas (RN) e faz parte do Projeto Cultivando Futuros em parceria com a Rede Ater de Agroecologia

Você já parou para refletir sobre quais alimentos você consome na sua casa e quais os impactos que eles têm na sua saúde? Se você opta por alimentos como a macaxeira, frutas, ovo, hortaliças, você está escolhendo se alimentar de saúde. Porém, se você escolhe alimentos processados como salsicha, hambúrguer, macarrão instantâneo, entre outros, você, automaticamente, está propenso a contrair diversas doenças.

O consumo alimentar vem se modificando ao longo dos anos. De acordo com uma pesquisa “Inflação de Alimentos no Brasil – uma questão estrutural”, o aumento de consumo de ultraprocessados no Nordeste passou de 10% da aquisição alimentar no domicílio, entre 2002-03 para 14,4%, entre 2017-2018. Isso pode acontecer devido ao aumento dos preços dos alimentos e bebidas que, em 2024, foi de 7,7%, acima da inflação geral medida pelo índice de preços ao consumidor amplo (IPCA), que foi de 4,8%.

Com o objetivo de analisar a mudança do consumo de alimentos da população caraubense entre os anos 1990 e 2025, a Diaconia realizou uma oficina chamada “Consumo alimentar nas comunidades rurais de Caraúbas”, no Sindicato de Trabalhares e Trabalhadoras Rurais de Caraúbas (RN), na quinta-feira (29/05) com agricultores e agricultoras, representantes de organizações que trabalham com assessoria técnica e extensão rural e grupos de mulheres.

Durante a oficina as pessoas apontaram que na década de 90 o consumo de alimentos saudáveis era maior do que atualmente devido à lógica de mercado e aos meios de comercialização. Seja dos circuitos curtos ou seja do acesso aos programas sociais.

Alguns desses programas, por exemplo, foi o de Assessoria Técnica (ATER Mulher), o Programa Cisternas, o PAA e PNAE, o Programa Luz para Todos, a Reforma Agrária, os quintais produtivos, o Fundo Rotativo Solidário e o Pronaf e Pronaf Mulher foram mudanças positivas ao longo dos anos.

Fortalecimento das feiras agroecológicas

Uma das potencialidades do município de Caraúbas é a feira agroecológica a partir dos circuitos curtos de comercialização, aponta Risoneide Lima, assessora político-pedagógica da Diaconia. “Esse é o espaço onde se fortalece os produtos orgânicos de base agroecológica, mas também a organização social das famílias. É preciso fazer uma defesa política de um grupo que fortalece e garante que a população brasileira acesse produtos de qualidade para assegurar uma organicidade e sustentabilidade das famílias e do território”, afirma.

O grupo apontou que em 2025 há uma crescente na população caraubense de alimentos processados e ultraprocessados em detrimento dos anos 90 que esse consumo era mais baixo. Havia um consumo maior de produtos in natura, produzidos nos quintais produtivos das famílias agricultoras.

Patrícia Silva, presidente do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Caraúbas comenta sobre essa mudança. “Percebemos que nos anos 90 as pessoas se alimentavam de forma mais saudável e hoje vemos tem um consumo maior de produtos industrializados e, consequentemente, a ingestão de materiais como embalagens. O que a gente incentiva é que pessoas continuem plantando no seu roçado para não ingerir esses alimentos processados porque eles não trazem futuro para ninguém”, aponta.

O adoecimento das pessoas nos territórios é uma crescente devido ao consumo dos alimentos não saudáveis, afirma Leiliana Pereira, coordenadora do grupo de Mulheres do Assentamento José Soltero em Caraúbas. “Hoje a gente vê as pessoas adoecendo muito porque não levam alimentos saudáveis para a mesa. Então, estar nesse momento é fortalecer essa discussão e provocar as pessoas a pensarem na importância de consumir produtos de qualidade que nós produzimos em nossos quintais. Como é que alguém troca o cuscuz, o leite, o ovo, por uma pizza, por exemplo? Precisamos melhorar nossa saúde”, contesta.

O secretário municipal de políticas do campo e do meio ambiente de Caraúbas José Maria Junior também participou da oficina e trouxe a importância de fortalecer as políticas de soberania alimentar. “O momento que nós vivemos é desafiador. Sabemos que boa parte das doenças são contraídas devido aos hábitos alimentares que vem sendo implementados para sociedade. É fundamental que cada um e cada uma participe desse processo, fazendo essa discussão com quem conhece do assunto, quem tem capacidade técnica, reunido com os agricultores e agricultoras agroecológicas, para a gente fortalecer os instrumentos de comercialização para difundir as políticas de soberania alimentar para que possamos viver dias melhores”, conclui.  

Incidência Política

Após o diálogo com agricultores e agricultoras e organizações de assessoria técnica, agora o planejamento é realizar um momento com gestores/as políticos/as para que seja feito um processo de incidência política. “Começamos a organizar nossa quarta oficina que é um diálogo com gestores/as para fazer uma incidência mais direta sobre as formas de fortalecimento da agricultura familiar de Caraúbas (RN), garantindo o acesso a alimentos saudáveis, considerando também as emergências climáticas. Ou seja, para que as famílias consigam uma sustentabilidade dessa produção para o seu autoconsumo e para que tenham um excedente para alimentar a população caraubense através das feiras, dos programas sociais, da merenda escolar, que esses alimentos cheguem às famílias e a gente consiga garantir permanência dessa produção que é essencial nesses tempos mais difíceis e desafiadores que é essa emergência climática, sobretudo durante o inverno de Caraúbas“, aponta Risoneide.

Essa iniciativa faz parte do projeto Cultivando Futuros é uma realização da AS-PTA, Pão para o mundo (Brot fur de Welt) e Rede ATER Nordeste de Agroecologia; com financiamento do Ministério Federal da Alimentação e da Agricultura da Alemanha (BMEL, na sigla em alemão). Através da Rede ATER Nordeste de Agroecologia, o Cultivando Futuros está sendo realizado nos estados da Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.

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