Programa Cisternas é reconhecido como exemplo de política pública

Referência mundial na democratização do acesso à água para consumo humano e produção de alimentos saudáveis, o Programa Cisternas é reconhecido também como exemplo de gestão e execução eficientes. A constatação é da Controladoria Geral da União (CGU) que avaliou a política pública quanto ao impacto na vida das famílias em situação de vulnerabilidade; ao processo de implementação; e à efetividade das entregas das tecnologias sociais.

Após a retomada do programa pelo presidente Lula, a CGU visitou, no ano passado, 730 famílias beneficiárias, além de 23 comunidades escolares, distribuídas por 68 municípios em 14 estados brasileiros. O órgão ainda realizou análises documentais e de registros em bancos de dados do governo federal, tendo como objetivo avaliar a atuação do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) na gestão e no acompanhamento das ações.

No que diz respeito ao Semiárido, berço do Programa Cisternas e região que concentra 70% da demanda pelos reservatórios, a CGU destaca o impacto positivo do projeto “na vida das famílias, garantindo maior independência hídrica e melhoria na saúde”. Transformação que ocorre há mais de 20 anos graças ao trabalho da Associação Programa Um Milhão de Cisternas (AP1MC) – personalidade jurídica da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).

Segundo a auditoria, a AP1MC é a principal parceira do MDS no Programa Cisternas. Depois de vencer a chamada pública e firmar o termo de colaboração com a pasta, em 2023, a AP1MC conquistou 78% dos recursos do projeto, garantindo R$ 417,3 milhões para o Semiárido. Para a CGU, isso ratifica a capacidade de gestão territorial e a experiência da associação na implementação de tecnologias sociais.

A AP1MC também é citada como uma das entidades que conseguiu localizar unidades de ensino suficientes para cumprir metas de cisternas escolares no Semiárido. O êxito desse esforço é ainda mais significativo se considerado o movimento de fechamento das escolas rurais. Para a CGU, isso reforça ainda mais a relevância da entidade na execução do Programa Cisternas.

Para o presidente da AP1MC, Cícero Félix, a auditoria é mais um levantamento que atesta a idoneidade da associação e sua capacidade de executar a maior política pública de acesso à água do Brasil. O gestor salienta que esse reconhecimento da CGU é resultado de mais de 20 anos de luta da sociedade, capitaneada pelos povos do Semiárido, junto ao governo federal.

Programa Cisternas é reconhecido como exemplo de política pública

“O Programa Cisternas foi apresentado pela sociedade civil organizada ao Estado brasileiro e começou a ser executado ainda no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso. De lá para cá, o Brasil foi governado por diferentes partidos e seguimos executando com excelência reconhecida por todos os órgãos de controle internos e também internacionais, que premiaram a AP1MC como exemplo de entidade executora de políticas públicas”, afirma Félix.

Um desses reconhecimentos da AP1MC como modelo para organizações de outros países aconteceu ano passado durante o 3° Seminário Internacional MROSC: parcerias transformadoras para um mundo justo e sustentável, em Brasília. Na ocasião, a associação apresentou o balanço do período entre 2004 a 2023 quando geriu quase R$ 2 bilhões de recursos federais, concluindo a entrega de todas tecnologias com uma glosa de apenas 0,0025%.

Cícero ressalta que a CGU também reconhece, em todos os relatórios de fiscalização, a importância da participação social na condução de uma política pública. “A última análise da controladoria mais uma vez aprova essa atuação da sociedade civil que existe desde a proposição, e está na construção, execução e no controle social do programa”, reforça.

Em relação às fragilidades pontuais do Programa Cisternas, que atende outras áreas do país, como a Região Amazônica e o Sul, a CGU coloca a AP1MC como referência por adotar medidas de mitigação como: a participação em oficinas de qualidade, em 2024, que resultaram em melhorias nos materiais e processos construtivos das cisternas; e a inclusão de recreadores para a realização das Cirandas nos encontros de capacitação em Gerenciamento de Recursos Hídricos (GRH), por exemplo.

Programa Cisternas é reconhecido como exemplo de política pública

Política pública que transforma

O relatório da CGU, para além das condições técnicas do Programa Cisternas, ressalta a importância da formação das cidadãs e dos cidadãos envolvidos, reconhecendo-os como protagonistas da política pública. Do total de famílias visitadas pela equipe técnica da controladoria, 85% informaram ter participado dos encontros de capacitação e 82% registraram que aplicam os conhecimentos recebidos no cuidado com a cisterna e na gestão da água.

O resultado é a apropriação do direito à água e um melhor uso das tecnologias. “Em relação a famílias e escolas beneficiadas por tecnologias do tipo cisternas de placas – a maioria localizada no Semiárido – as entrevistas (709) indicaram, de modo geral, que as cisternas costumam ficar cheias com a água coletada no período chuvoso e 60% das famílias entrevistadas afirmaram que a água armazenada é suficiente para o período de seca”, diz o levantamento.

A maioria dos beneficiários do Programa Cisternas não só apoiam como reconhecem a iniciativa como uma política pública essencial para o desenvolvimento socioeconômico no campo. “A quase totalidade das famílias percebem que a implementação das cisternas gerou impacto positivo em suas vidas, especialmente por garantir maior independência e previsibilidade sobre a disponibilidade de água de qualidade e por contribuir para a melhoria da saúde das famílias”, salienta a CGU.

Programa Cisternas é prioridade do Brasil

O Programa Cisternas é uma iniciativa coordenada pelo MDS em parceria com estados, municípios, Distrito Federal e entidades privadas sem fins lucrativos. Graças à luta da sociedade civil, o programa é uma ação prioritária do governo federal no contexto das políticas de combate à fome e promoção da segurança alimentar e nutricional.

Segundo o governo Lula, até 2026 devem ser investidos pelo menos R$ 1,5 bilhão no Programa Cisternas. O projeto está incluído no Plano Brasil sem Fome e no novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Texto: Kleber Nunes, da ASACom

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